Artigo 26/08/2020 10:49

A saída da Petrobras e os benefícios para o RN na visão das empresas privadas

"Estou convencido que a comunicação é o desafio deste e dos próximos 5 milênios. Recentemente, descobri que ainda existem pessoas que por desinformação, acreditam que os campos de petróleo da bacia Potiguar que estão sendo assumidos por operadores independentes foram “dados de graça pela Petrobras” sem que tenha sido pago por eles.

Anabal Santos Jr.

Secretário Executivo da ABPIP – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás

“Estou convencido que a comunicação é o desafio deste e dos próximos 5 milênios. Recentemente, descobri que ainda existem pessoas que por desinformação, acreditam que os campos de petróleo da bacia Potiguar que estão sendo assumidos por operadores independentes foram “dados de graça pela Petrobras” sem que tenha sido pago por eles.

Incrível mas é verdade. Consciente da necessidade que a boa informação segue a todos é que me motivou escrever esse artigo.

Todos que acompanham os nossos esforços para contribuir com revitalização da produção dos campos terrestres do Brasil muito comemoraram a divulgação no dia de ontem (24/08/2020) de mais um teaser da Petrobras e desta vez na bacia Potiguar.

Nos últimos meses, o estado do Rio Grande do Norte tem sido o berço do renascimento da indústria onshore no Brasil, contribuindo para que a bacia Potiguar mantenha o posto de maior produtora em terra do país, o que se comprova pelo fato de que o estado saiu na frente em face das primeiras transações resultantes do programa de desinvestimento da Petrobras.

Este renascimento da indústria, no entorno da região de Mossoró, só foi possível pela persistência de operadores independentes, nossos associados tais como: Phoenix, Partex, Sonangol, Imetame, Petrosynergy, dentre outras que já operam há anos no estado e que continuam investindo na bacia Potiguar, além da GeoPark que tem feito investimento exploratório recente.

Esse renascimento já mostrou toda sua força e pujança, como observada na última Mossoró Oil & Gas Expo, o maior evento do onshore do Brasil, realizada em novembro de 2019, e que trouxe de volta a esta cidade o título de Capital do Onshore Brasileiro.

Nesse sentido, no final de 2019, a empresa Potiguar E&P, do grupo PetroRecôncavo, outro associado da ABPIP, assumiu a operação de trinta campos na bacia. Em pouco mais de cem dias através da alocação intensiva de recursos humanos (engenheiros, operadores e técnicos, em sua enorme maioria, do próprio estado do RN), financeiros e materiais, conseguiu um incremento de cerca de 27% nos volumes diários de produção de óleo.

Seguindo esse movimento, em Abril, em plena pandemia, a ANP aprovou o processo de cessão do Polo de Macau e empresa operadora 3R Petroleum, assumiu os campos abrindo potencialmente mais uma frente de investimentos e de incremento de produção, renda, empregos e royalties.

Esses exemplos com dados concretos, ilustra bem e comprova o potencial das bacias terrestres do Brasil quando operados por empresas independentes.

Temos exemplos de sucesso também em outras bacias terrestres, em campos operados pelas empresas independentes já citadas.

O potencial de incremento do ritmo de atividade da produção é enorme e já está claramente evidenciado.

A continuidade de vendas de campos terrestres dentro do programa de desinvestimento da Petrobras, assim como resultantes de outras iniciativas, sobretudo a Oferta Permanente da ANP, permitirá que continuemos otimistas quanto ao futuro da indústria onshore no Brasil.

Dados comparativos com outros países da América Latina, levantados pela ANP, mostram que o Brasil, apesar de possuir área geográfica maior tem produção e reservas onshore menores que quase todos os países produtores da América do Sul (Colômbia, Argentina, Bolívia, Equador e Peru)

As consequências da redução lenta e progressiva das atividades nesses ambientes, agravadas nesses últimos anos, afetaram gravemente as populações que possuem alto grau de dependência social e econômica.

Neste contexto, o baixo nível de atividade nestes campos levou a drástica queda de produção, arrastando também o nível de empregos, e arrecadação de royalties, sobrecarregando as administrações públicas.

No entanto, a partir de um maior investimento nesses campos e consequente crescimento da produção, teremos efeitos em toda cadeia produtiva com repercussões benéficas na demanda de fornecimentos de bens e serviços.

Os produtores independentes têm estruturas e custos mais adequados à operação de campos maduros, que têm grande número de poços de baixa produtividade. A produção destes poços gira em torno de 12 a 18 barris de óleo por dia (volume menor que uma caixa d’agua), que certamente não são atrativos para uma Companhia do porte atual da Petrobras.

O caráter desenvolvimentista e descentralizador da venda destes ativos têm o potencial de captar recursos privados, gerando benefícios socioeconômicos que são necessários e urgentes para o crescimento do Brasil.

Segundo o Ministério das Minas e Energia, essa revitalização atrairá investidores privados, que somente a atividade onshore tem potencial de produzir 500 mil barris até 2020 com geração de empregos da ordem de 200 mil postos de trabalho – diretos, indiretos e efeito renda, e cerca de R$4 bilhões em participações governamentais, a partir de investimentos da ordem de R$6 bilhões.

Principalmente do ponto de vista social a revitalização do setor é urgente e estratégica, na medida em que se tem assistido um declínio acentuado da produção dos campos operados pela Petrobras nestas áreas como resultado da redução dos investimentos na maioria destes campos de baixa produção, com impactos relevantes e danosos.

A atividade de produção de petróleo e gás natural é de extrema importância para os estados e municípios onde estão localizados estes campos maduros, não apenas por ser uma importante geradora de emprego, mas, principalmente, em razão do recolhimento de tributos e da distribuição de royalties que são fundamentais para estes entes da federação.

Alguns reclamam que o polo anunciado ontem da Bacia Potiguar é concentrador da seu tamanho. Concordo que uma certa dose de pulverização é saudável para que tenhamos um mercado plural e diversificado.

Hoje mais da metade das empresas que operam no onshore produzem menos que 100 bbl/dia. Concordo que o ideal que tivesse oportunidades no programa de desinvestimento para esse perfil de empresas mas não tem e nunca teve, apesar de nos todos reclamarmos. Em termos objetivos no onshore precisaremos de operadores com perfil e capacidade para produzir ate 1.000 bbl, 5.000 bbl, 10.000 bbl e 50.000 bbl.

A Petrobras não conseguiu vender nem 50% dos campos que ela diz desde o governo Dilma que ia vender e foram mais de 5 anos nesse quase interminável processo. E creio também que a pulverização virá a partir de um mercado secundário que inclusive ja acontece. Acredito na logica econômica, que nas palavras de Giuseppe Baccocoli,

“Dono de hipermercado (mercado de bairro ou armazém – acréscimo meu) não tem quitanda”.

Qualquer ruído ou forçar mudanças nesse estagio do processo que estamos traz mais prejuízo do que benefícios. Portanto, muito bem vinda a decisão da Petrobras e oportuna, vez que nesse momento o que mais o Brasil precisa é de investimento privado para gerar renda e emprego.”

Ricardo Rosado

Descrição Jornalista