Corrupção 02/10/2018 09:45

No Governo Lula um grupo queria reformas, outro o dinheiro da Petrobras

Palocci afirmou que era “comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão” e que a intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.

Palocci afirmou que era “comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão” e que a intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.

O delegado do caso diz que a delação poderá produzir efeitos em cinco inquéritos que estão em curso e envolvem diferentes investigações.

Um deles é o de número 500404622.2015.4.04.7000, que tramita na 13ª Vara Federal de Curitiba. No caso, são relatados esquema para desvio de verba pública da Petrobras através do grupo Schahin.

O processo, diz, pode envolver inclusive o instituto de pesquisa Vox Populi.

“O colaborador, além de contribuir quanto a esse fato investigado, poderá esclarecer e expandir outros fatos criminosos decorrentes de relação ilícita mantida entre a Schahin, contextualizando as ilicitudes que permeavam a relação da agremiação política com o Vox Populi, também investigado nos autos”.

Palocci relata, ainda, que na formação do primeiro governo de Lula, o núcleo mais próximo do ex-presidente era divido sobre a forma de atuação em relação ao esquema na Petrobras.

De um lado, Miro Teixeira, Luiz Gushiken, José Genuíno e o próprio Palocci defenderam que as alianças deveriam ser programáticas, enquanto José Dirceu, Marco Aurélio Garcia e às vezes Dilma Rousseff queriam seguir um caminho pragmático.

O delator diz que os defensores da tese programática “se baseariam essencialmente na aprovação da reformas constitucionais estruturais, como a reforma da previdência, tributária, do judiciário, que eram demandadas naquele momento e eram de interesse de grandes partidos e que essa linha seria seguida conjuntamente com o PSDB e parte do PMDB”.

A outra corrente, que sairia vencedora, diz Palocci, visava “basicamente a aliança com pequenos partidos visando a composição do governo” e achava que deveria existir um antagonismo entre PT e PSDB.

“Durante os quatro governos do PT essa divisão de posições permeou as relações políticas e, progressivamente, a linha pragmática foi se tornando vencedora”.

Deu em JOTA

Ricardo Rosado

Descrição Jornalista