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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A declaração de amor de Andreia

Meus queridos amigos,

quero agradecer a todos que me apoiaram durante estes quase três anos de luta ao lado do meu marido.

Um combate sem descanso, intenso, que tragou todas as nossas energias, levou muitas lágrimas, deixou várias marcas, mas que teve um substrato que só agora conseguimos enxergar.

Júlio, que alguns de vocês nem conheceram pessoalmente, entrou na minha vida pouco depois do nascimento da minha filha e chegou chegando.

Aos 45 anos de idade, separado há 15, já nos primeiros meses de namoro disse que queria casar.

Vindo dele, não poderia ser diferente: quis casar na Igreja Católica, como manda o figurino.

Lá fui eu me batizar para entrar na igreja de véu e grinalda. Sonho que, na minha praticidade, nunca tive, mas que ele me ensinou a agasalhar e, principalmente, a gostar.

Depois de casado, repetidas vezes me confessou que deveria ter casado comigo assim que chegou a Natal, vindo de Brasília, aos 30 anos de idade.

Falava isso brincando quando eu, nas raríssimas incursões pela culinária, fazia pra ele um miojo com alguma comida pré-pronta.

Dizia isso caçoando dos meus “dotes”, mas, confesso, era a gozação sobre mim mesma que mais gostava de ouvir!

Sempre muito reservado, soube ser pai, marido, homem, companheiro exemplar. Detalhista ao extremo – só quem conviveu sabe a dimensão desta característica dele – Júlio era o meu oposto em muitas coisas. E justamente por isso era o pedaço que faltava em mim.

Ficamos casados 5 anos. O câncer entrou em nossas vidas há quase 3 anos. Foi um professor cruel! Fez a gente apanhar um bocado.

A cada resultado de exame, uma pancada mais forte.

A cada sessão de quimio, o fundo do poço. Mas, quanto maior era o baque, mais Deus e os espíritos de luz iluminavam o nosso caminho para que a gente conseguisse levantar. E, juntos, conseguimos muitas vezes.

Entre as lições deste severo professor - tenho que compartilhar com vocês - que a beleza física é fugaz. A carne, efêmera.

O amor, soberano.

O espírito, perene a derramar fertilidade feito rio, na aridez do sertão.

Neste combate, amigos incansáveis nos acompanharam com atitudes, palavras de conforto, orações dedicadas, verdadeiras vigílias durante o sem número de internações que se seguiram até o dia 30 de junho de 2010, quando Júlio desencarnou.

Seria muito injusto insistir com Deus que ele continuasse entre nós, purgando aquele sofrimento. Sei que a Espiritualidade Maior o resgatou na hora certa. Sem mais e nem menos um minuto sequer da missão que ele veio cumprir nesta vida.

Como ele gostava de dizer, sabemos que “o próximo Júlio virá leve como pluma, porque este pagou todas as suas dívidas espirituais”.

Baseada nisto, vou recompondo o mosaico para seguir em frente sem lamentações e nem torturas.

Com uma saudade reconfortante por saber que Júlio é hoje um reforço na seara do bem, no trabalho dos bons espíritos que nos apoiam aqui neste plano todos os dias.

E não serei eu a pessoa a prejudicar o desenvolvimento dele com lágrimas e revolta. Para manter este entendimento, mais uma vez contarei com vocês meus amigos, encarnados e desencarnados.

Para construir, dia após dia, a estrada que me levará ao encontro dele.

Um dia.

Andreia e Cecília Ramos

3 comentários:

  1. Através deste blog deixo minha solidariedade a Andreia ,lendo uma carta tão forte,vemos o quanto é uma mulher de fibra.Que Deus lhe conforte em doses certas nas horas de saudade.
    meu beijo pra vc e sua pequena Cecilia.
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  2. Andréia,

    Obrigada por nos dar esta bela lição. Só o verdadeiro amor para trazer tanta sabedoria, serenidade e humildade diante de tamanha dor. Grande abraço.
    Sibele Alves
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  3. Tive o prazer de estudar ao lado de Júlio César no Colegio Diocesano em
    Mossoró, em seu tempo de juventude(anos 70).Um grande amigo,educado,simples. Descanse em Paz amigo. Há muitos anos, não tinha noticias dele. Meu voto de pesar a toda família!
    CARLOS ANTÔNIO DE FREITAS NUNES, Pau dos Ferros, Rn.
    www.carlos-nunes.zip.net
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